Cinco anos após a morte de Henry Borel, começou o julgamento de Jairinho e Monique Medeiros no Rio. O Ministério Público pede penas superiores a 35 anos, enquanto a defesa fala em acidente, apesar de laudo apontar múltiplas agressões.
JULGAMENTO COMEÇA APÓS 5 ANOS
Cinco anos depois da morte de Henry Borel, que ocorreu com indícios de violência, teve início nesta segunda-feira (23) o julgamento do caso no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O menino faleceu em 8 de março de 2021, dentro de um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital.
No banco dos réus estão o padrasto, Jairinho (Jairo Souza Santos Júnior), e a mãe, Monique Medeiros. A previsão é que o julgamento se estenda por pelo menos dez dias, considerando o número de depoimentos: ao todo, 26 testemunhas devem ser ouvidas, além dos interrogatórios dos dois acusados. Após essa etapa, acusação e defesa apresentarão seus argumentos finais antes da decisão do júri.
O Ministério Público busca a condenação de ambos a penas que podem ultrapassar 35 anos de prisão, com base em diferentes acusações. Já as defesas atuam de forma independente e pretendem sustentar versões como a de morte acidental e possíveis falhas nos laudos periciais.
Entretanto, o exame do Instituto Médico-Legal identificou 23 lesões provocadas por violência, incluindo ferimentos graves como ruptura no fígado e hemorragia interna, contrariando a versão inicial apresentada pelos acusados.
A sessão é conduzida pela juíza Elizabeth Machado Louro.
Jairinho responde por homicídio duplamente qualificado, sob a alegação de uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, além de acusações de tortura em episódios anteriores à morte do menino. Segundo o Ministério Público, ele assumiu o risco de causar a morte da criança. Monique, por sua vez, é acusada de homicídio qualificado por omissão, por não ter impedido as agressões, além de também responder por coação durante o processo. Ambos estão presos desde abril de 2021.
O caso teve forte repercussão e levou à cassação do mandato de vereador de Jairinho em 2021. Tentativas de reverter a decisão não tiveram sucesso, e, em 2024, a Justiça manteve a cassação de forma unânime.





